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Há risco em usar uma VPN para burlar o bloqueio ao WhatsApp?

Por Felipe Maia

Com o bloqueio do WhatsApp no Brasil, muitos usuários estão aderindo a aplicativos com sistemas VPN (redes virtuais privadas) gratuitos para burlar o veto e continuar mandando e recebendo mensagens.

Esses sistemas permitem que o usuário pareça estar acessando a internet de outro país que não o Brasil, o que faz com que o WhatsApp seja acessível, já que o bloqueio foi feito só aqui (em países que impõem controle da rede, caso da China, é comum que os internautas usem VPNs para fugir da barreira da censura).

A Folha usou dois desses apps e realmente conseguiu trocar mensagens, mas a conexão pode ficar lenta e, claro, a pessoa do outro lado também precisa estar acessando o WhatsApp de alguma forma. Talvez o mais fácil seja migrar para outras plataformas, como o Viber ou o Telegram nessas 48 horas de indisponibilidade. (veja mais aqui).

O problema é que as VPNs também podem causar riscos: a empresa ou organização mantenedora da ferramenta poderia, em teoria, ter acesso aos seus dados (conversas ou outras informações que você transmitiu na conexão).

“Toda a sua navegação sairá por esse novo servidor. Engana-se aquele que pensar que será apenas as mensagens do WhatAapp”, afirma Wanderson Castilho, especialista em crimes digitais. “É um risco. Será realmente preciso passar por isso?”

O consultor de segurança da informação Vinícius K-Max diz que é melhor evitar as opções grátis –há várias opções delas nas lojas de aplicativos da Apple e do Google.

Qualquer medida gratuita é desaconselhável porque, se alguém está oferecendo uma VPN gratis, deve estar lucrando de outra forma, possivelmente por meio da inserção de anúncios na sua navegação ou monitoramento da sua navegação, o que é um grande risco de invasão de privacidade”, ele me disse.

“A opção menos arriscada é contratar um serviço com reputação e conectar nele por meio da opção de acesso à VPN do próprio sistema operacional. Tanto o Android quanto o iOS oferecem esse recurso.”

Paulo Lício de Geus, professor-associado do Instituto de Computação da Unicamp, discorda. Ele diz que há, sim, opções grátis: o indicado é procurar por aquelas que sejam baseadas em código aberto (caso do sistema Openvpn, conceituada rede para PCs), em que a comunidade pode verificar a segurança.

“Tem gente que fica investigando. Neles, se houvesse um modo de escapar dados, já teria sido descoberto”, afirma o professor.

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