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O blog é uma extensão da cobertura sobre tecnologia e internet publicada na Folha.

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O vídeo vai enfim matar a fotografia?

Por Yuri Gonzaga

Na semana passada, a Apple mostrou durante o evento de lançamento dos novos iPhones uma capacidade intitulada Live Photos (que tem já teve correlatos lançados com pouco sucesso pela HTC e pela Nokia), basicamente um pequeno clipe de vídeo em vez de um instantâneo –que substituirá o modo padrão de captura nos futuros smartphones.

Se as duas iniciativas semelhantes não decolaram, desta vez o movimento é da fabricante da câmera mais usada no mundo –o Flickr, plataforma muito usada por fotógrafos profissionais, tem quatro modelos de iPhone na lista das cinco câmeras mais populares entre seus usuários (a outra é um celular da Samsung).

Para um observador, a função pode ser a mais transformadora entre as novidades da nona geração do celular da Apple –a competição é fraca, vale dizer, já que foi mostrada pouca coisa além da tela sensível a diferentes níveis de pressão.

Ao mesmo tempo, durante um evento que realiza a cada cinco anos, a Canon mostrou que é cada vez mais uma empresa de vídeo em vez de de foto.

A companhia, que admite o encolhimento violento do setor de câmeras compactas, passou a dar ênfase às máquinas que faz para o setor de cinema (a linha C).

Ao mesmo tempo, uma das seções, dedicada à resolução 8K (quatro vezes superior ao 4K, que ainda é o padrão do futuro, e dezesseis vezes maior que o atual Full HD), a companhia se gabou do que poderia fazer congelando conteúdo filmado com equipamento desse quilate.

As impressões, em tamanho de mais ou menos 40 cm x 60 cm e resolução 300 ppi, eram de fato indistinguíveis de uma tirada com equipamento de “still” (instantâneo, câmeras fotográficas propriamente ditas).

Com o advento do padrão, fica cada vez mais fácil (há um ano quase não havia TVs 4K nas lojas brasileiras, e hoje elas estão onipresentes; isso certamente se repetirá com o 8K e como que vier em seguida. (Os novos iPhones também chegarão com a capacidade de filmar em 4K, assim como outros celulares de topo de linha; o Xperia Z5, que a Sony apresentou na IFA em Berlim no começo do mês, também tem tela com essa resolução)

Para o presidente da Canon no Brasil, o japonês Jun Otsuka, o amante “die-hard”, fanático, da fotografia sempre existirá. “São como corintianos”, brincou durante conversa com um grupo de jornalistas.

Nas transmissões de futebol, inclusive, é onde vemos a cada vez maior qualidade dos congelamentos de imagem, graças à maior velocidade das câmeras de “broadcast”.

O Facebook, que vem brigando para desbancar o YouTube como a “casa” dos vídeos on-line, anunciou que terá suporte às Live Photos dos iPhones, que vão registrar não só a mesma cena por mais tempo, mas podem ter um enquadramento diferente, já que duram até três segundos.

Seria a morte do “momento decisivo”?

“O poder de uma foto é justamente o que não é capturado”, escreveu Sam Byford no site The Verge. A Apple claramente discorda –tanto que os iPhones virão configurados para todo clique ser essencialmente uma gravação.

Um gargalo é o espaço de armazenamento (as Live Photos têm mais ou menos o dobro do tamanho de um instantâneo; um arquivo 8K de três minutos, codificado a 48 Gbps, ocupa provavelmente mais do que o disco rígido do seu computador tem de capacidade, 1.080 Gbytes).

Por outro lado, o espaço se torna cada vez mais barato (ainda que numa velocidade menor que outrora), e as conexões, mais velozes (para fazer streaming e distribuição desse conteúdo). Fora isso, GIFs (muitas vezes excertos de filmagens) tornam-se progressivamente a moeda corrente das imagens na web.

Que a fotografia continuará a ser apreciada para sempre há pouca dúvida, mas sua importância como técnica pode chegar em breve a um xeque-mate.

(O jornalista viajou a convite da Canon)

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